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Devoção a ídolos pop dá apoio emocional aos fãs, mesmo com cyberbullyng: ‘É como se soubessem o que passo’

  • Maria Dib
  • 13 de mai.
  • 3 min de leitura

Fãs encontram na devoção a ídolos, como a banda coreana BTS, e em suas músicas, ferramentas para superar crises como a depressão, mesmo sendo alvo de chacotas na internet.


Homem e mulher jovens sorriem e cobrem o rosto parcialmente com os aparelhos celulares, cujas telas mostram imagens de cantores coreanos.
Músicas e devoção a ídolos, como os artistas coreanos, ajudam fãs a superarem momentos de crise mental Imagem gerada por IA

Maria Dib


A volta da banda coreana BTS aos palcos trouxe à tona uma conduta reprovável, mas comum na internet: a ridicularização dos fãs, principalmente os mais jovens. O que essa prática ignora é que a devoção a ídolos pop serve de apoio emocional e alívio das pessoas em momentos difíceis.


“Eu me sentia sozinha, mas depois que ouvi a música do Stray Kids e passei a acompanhar a carreira, é como se eles soubessem o que eu estava passando”, conta a estudante Maria Júlia, 16 anos, de São José do Rio Preto (SP), em entrevista à reportagem.

Comentários que tratam como exagero o carinho manifestado pelas pessoas aos artistas circulam há bastante tempo. Piadas sobre fandoms e críticas a gostos considerados “fúteis” geralmente tem como alvo o público feminino.  Ao longo das décadas, diferentes artistas ocuparam o lugar de ídolos no coração dos fãs, como The Beatles, Britney Spears, One Direction e outros nomes que marcaram gerações


Letras que falam da saúde mental


BTS se destaca como um dos maiores grupos da atualidade, construindo uma carreira marcada por discussões sobre saúde mental, autoestima e pressão social.


Canções como Epiphany, Answer: Love Myself e Life Goes On abordam amor-próprio, aceitação e a importância de continuar mesmo em momentos difíceis, o que favorece a identificação do público.


É o caso de Ana Letícia, 23 anos, que conta que conheceu o grupo durante uma fase complicada da adolescência.


“Durante o ensino médio, eu desenvolvi depressão. Passei por muitos momentos difíceis nesta fase”, lembra ela.


Música alivia crise de depressão


Por obra do algoritmo, a plataforma Youtube recomendou a música Magic Shop, num dia em que ela estava em crise.


“Eu cliquei por curiosidade e, até hoje, não sei descrever o que senti quando percebi a letra: aquilo foi muito importante pra mim”, relata Ana Letícia.

Pesquisas na área da psicologia apontam que a música influencia positivamente no bem-estar emocional, ajudando as pessoas a processarem sentimentos. Também contribui para a construção da identidade e na redução de estresse e ansiedade.


Pesquisa publicado pela Studies Publicações indica que a música pode funcionar como um importante recurso emocional, auxiliando jovens na forma como lidam com emoções e oferecendo espaços de expressão e acolhimento.


Refúgio e impacto na personalidade


A relação dos fãs não se limita a um único artista, como ocorre com Daiane Scaliante, de Rio Preto. Ela encontrou apoio em várias referências.


“A música sempre foi um refúgio para mim. Em muitos momentos, foram as canções que me ajudaram a entender o que eu estava sentindo. Elas me moldaram porque me ensinaram que sentimento não é fraqueza”, conta, em entrevista.

Hoje, ela destaca o impacto da Lana Del Rey na adolescência.


“Ela representa um grande marco na minha adolescência e na minha personalidade. Ela moldou um pouco de quem eu sou hoje”, explica.

Não é apenas sobre ouvir esses artistas, é sobre sentir. É sobre encontrar, em vozes desconhecidas, um sentimento de acolhimento que muitas vezes não é encontrado no entorno das pessoas.

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