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Resistência cultural da Tropicália é celebrada em espetáculo sobre o fim da censura

  • Foto do escritor: Agência Jor Unilago
    Agência Jor Unilago
  • 5 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Em “É Proibido Proibir – 40 anos sem censura”, Celso Carlessi e banda misturam música, dança e teatro para celebrar a potência criativa dos artistas durante o regime militar.


Crédito: Alex Guimarães/Redes sociais

Celso Carlessi canta e dança com sua banda em show que celebra a Tropicália
Celso Carlessi canta e dança com a banda, no show "É Proibido Proibir", que celebra a Tropicália

Lauren Torres

 

Música, dança, teatro e audiovisual se misturam para celebrar a resistência representada pela Tropicália e outros movimentos culturais durante a ditatura militar, no espetáculo “É Proibido Proibir – 40 anos sem censura”, idealizado e produzido por Celso Carlessi, de São José do Rio Preto.


Em duas apresentações em agosto, nos dias 23 e 24, o público mergulhou na atmosfera de luta contra a repressão, num show musical que homenageia grandes nomes das artes brasileiras e de um dos movimentos culturais mais importantes do Brasil.

 

Inspiração em Rita Lee

Celso sempre teve o sonho de criar um show inspirado em Rita Lee, principalmente na época em que ela e os Mutantes subiam ao palco com Caetano Veloso e Gilberto Gil, como ocorreu na Tropicália.


O movimento que surgiu nos anos de 1960, em plena ditadura militar, misturou guitarras elétricas com baião, samba e percussão com rock e orquestra. Após assistir a um documentário, Carlessi se motivou a transformar a Tropicália em espetáculo. Também insere outros artistas da Música Popular Brasileira, como Chico Buarque e Erasmo Carlos.


“Era uma época de muita repressão, mas também de grande inovação. Diversos artistas criaram uma nova maneira de fazer arte, misturando o regional com influências estrangeiras e respondendo politicamente à censura. Achei que seria um tema perfeito para levar ao palco”, conta Carlessi, que apostou nos 40 anos do fim da ditadura em 2025.

 Crédito: Alex Guimarães/Redes sociais

Celso Carlessi canta em show musical que celebra a Tropicália em Rio Preto
Celso Carlessi buscou inspiração em Rita Lee

Orações e gritos

Além de hinos musicais censurados da época, o show destaca trechos de orações e até de gritos, um recurso para transmitir o medo e a violência vividos durante o regime militar.


“Queríamos que as pessoas sentissem de  alguma forma a angústia da época, mas também a brasilidade e a potência criativa daquele movimento”, explica o artista.

Contemplado por um edital de cultura, o espetáculo é apenas o começo para Carlessi e sua banda. Ele planeja a continuidade do projeto. A ideia é transformar “É Proibido Proibir” em um grande musical.


“A Tropicália é atemporal. As dificuldades e repressões que vivemos hoje ainda dialogam com o que aqueles artistas enfrentaram. A arte continua sendo um espaço de questionamento, resistência e diversidade”, argumenta Carlessi.

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